Comic Review / NerdnoCanadá Week 3 – Snotgirl #1

Voltamos para a terceira semana de resenha sobre títulos novos da Image Comics que culminará em uma Live em parceria com canal NerdnoCanadá. Confira os links para as resenhas e Lives já realizadas abaixo:

1° Semana: Killer of be Killed / Eclipse / The Hunt / The Black Monday Murders / Moonshine
Live 01: Image é a nova Vertigo?
2° Semana: Cannibal / Wytches / Outcast Vol.1
Live 02: Image é a Nova Vertigo? Lançamentos Image – Especial de Halloween #2

3° Semana: Demoniac #1 / Horizon #1 / Surgeon-X #1

Sinopse: Cara se você curte o supercool autor de Scott Pilgrim este é seu novo gibi favorito. Bryan Lee O’Malley te apresenta Lottie a garota catarro, digo… Lottie a blogueira mais super e descolada da cidade…ou será que não? Será a vida dela apenas uma selfie de mentira?

Snotgirl é a estreia de Bryan Lee O’Malley(Scott Pilgrim, Repeteco) em revistas mensais. E se essa série serve como parâmetro para seu trabalho, ele deveria ter começado a escrever no formato a muito mais tempo. Independentemente de seus trabalhos anteriores, Snotgirl #1 oferece um olhar divertido, atraente e extremamente estranho sobre os blogs de moda.

Snortgirl gira em torno da vida dupla e bizarra da blogueira Lottie Person. Esta escritora está totalmente obcecada em projetar a imagem ideal para seu público. Mas ler sobre uma social media não soa atraente e a série tem muito mais a oferecer. Lottie é uma cronista que luta para criar relacionamentos significativos em sua vida dominada pelo twitter. Além disso, há o fato de que ela sofre de alergias graves, daí o apelido “snotgirl” ou em uma tradução livre “garota meleca”.

A série funciona perfeitamente por trabalhar com vários temas ao mesmo tempo. Por um lado, Snotgirl é um intrigante estudo do caráter de uma jovem mulher lutando para descobrir o que realmente significa ser um adulto. Leslie está muito confusa e perdida para ser qualquer coisa além de um personagem simpático e trágico. Por outro, é uma comédia no estilo de Scott Pilgrim (embora um mais influenciado pela blogosfera do que pela cultura de videogames). E a medida que essa questão avança, ela também desenvolve tons de intriga e mistério que se transformam em um tipo muito diferente de história. Todos esses elementos se juntam para forma uma série que é diferente e inovadora.

O’Malley não desenha a série, mas encontrou um artista digno, o estreante Leslie Hung. A arte de Hunt transmite a transição entre a vida pública de Leslie e a sua vida pessoal conturbada de forma maravilhosa. Como em Scott Pilgrim, há uma forte influência do mangá na série, mas que consegue um efeito muito diferente e mais gracioso do que os visuais estilizados e hipercinéticos de Scott Pilgrim. As cores são bem empregadas junto com o trabalho de Mickey Quinn que fazem um grande complemento para o humor variado da história.

A edição também tem o destaque de como as publicações das mídias sociais são integradas na arte e nos diálogos. Nesse ponto, incluir postagens do Twitter em quadrinhos não é nada novo, mas aqui elas ajudam a desenhar um contraste perfeito entre as duas vidas que a protagonista leva e que acabam sendo simples e fáceis de seguir

Snotgirl tem o mesmo apelo, coração e criatividade que suas obras anteriores e essa é uma estreia muito consistente do artista Bryan Lee O’Malley e Leslie Hung na Image Comics.

Anúncios

Comic Review / NerdnoCanadá Week 3 – Surgeon-X

Voltamos para a terceira semana de resenha sobre títulos novos da Image Comics que culminará em uma Live em parceria com canal NerdnoCanadá. Confira os links para as resenhas e Lives já realizadas abaixo:

1° Semana: Killer of be Killed / Eclipse / The Hunt / The Black Monday Murders / Moonshine
Live 01: Image é a nova Vertigo?
2° Semana: Cannibal / Wytches / Outcast Vol.1
Live 02: Image é a Nova Vertigo? Lançamentos Image – Especial de Halloween #2
3° Semana: Demoniac #1 / Horizon #1

Sinopse: O que acontece se você misturar um governo britânico de extrema direita com um apocalipse antibiótico e um assassinato horrível? Testemunhe o nascimento do cirurgião X e sua prática renegada. Tempos extremos pedem  “medicinas” extremas. SARA KENNEY, aclamada diretora de documentários, dramas reais e cineasta de animação (Angels and Ghosts) com arte do mestre  JOHN WATKISS (Sandman, Conan, Deadman) junta forças com KAREN BERGER, vencedora de inúmeros prêmios e editora fundadora da Vertigo, para produzir este suspense médico, com traços únicos e humor negro, que vai te horrorizar e entreter ao mesmo tempo.

Surgeon-X é a série de estreia da diretora de séries e filmes Sarah Kenney, e aqui ela irá contar uma história baseada na crise de resistência aos antibióticos que vem ganhando destaque na mídia nos últimos 2 anos. Situada em Londres de 2036, o número de mortos em torno do uso de antibióticos aumentou significativamente. Como resultado, o governo de extrema-direita agora monitora e decide quem é tratado, então uma médica conhecida como Surgeon-X, ou Rosa Scott quando está em casa, surge para burlar o sistema e tratar daqueles que precisam de assistência médica.

Há muito o que falar sobre o conteúdo e mensagem de Surgeon-X. Em primeiro lugar, deve ser elogiada por sua precisão cientifica em relação ao “apocalipse de antibióticos” – ou pelo menos para a pesquisa realizada para ser usada no enredo. Além disso, trata-se de uma questão que é muito pertinente atualmente, com um número estimado de 700 mil casos de pessoas morrendo por causa de bactérias resistentes aos antibióticos. É assustador quando você pensa sobre isso, e talvez haja um elemento de alarmismo que a história possa trazer. Dito isto, ela faz um grande trabalho em abrir os olhos dos leitores para os problemas do mundo real que talvez possamos estar ignorando.

A série também explora ideologias conflitantes e como as opiniões pessoais podem afetar sua visão profissional. Além disso, elas mantêm um foco no estado político atual, ao mesmo tempo que apresenta um futuro de divisão social com pensamentos de direita que pode não parecer exagerado para alguns dependendo de sua visão política global e para o futuro. Os fãs de histórias distopias irão se divertir com a série, cuja arte é do lendário John Watkiss que desenhou Sandman. As cores estão por conta de Jared Fletcher que criam um mundo sombrio, ameaçador e sem sinais de esperança.

No geral, Surgeon-X é uma série altamente recomendável, especial se você é fã de V de Vingança, que chega a ser uma série com influencias de histórias diatópicas britânicas e suas ideologias. O trabalho envolvendo a política não pode agradar a todos, mas ainda é uma leitura envolvente, e mesmo se você discordar de alguns aspectos, ela ainda pode lhe apresentar situações que levam você a refletir.

ComicReview / NerdnoCanadá Week 3 – Horizon #1

Voltamos para a terceira semana de resenha sobre títulos novos da Image Comics que culminará em uma Live em parceria com canal NerdnoCanadá. Confira os links para as resenhas e Lives já realizadas abaixo:

1° Semana: Killer of be Killed / Eclipse / The Hunt / The Black Monday Murders / Moonshine
Live 01: Image é a nova Vertigo?
2° Semana: Cannibal / Wytches / Outcast Vol.1
Live 02: Image é a Nova Vertigo? Lançamentos Image – Especial de Halloween #2
3° Semana: Demoniac #1

Sinopse: Zhia Malen pensou que tivesse lutado sua última guerra, até que ela aprendeu que seu planeta foi alvo de ocupação … por um mundo desesperado chamado Terra. O povo da Terra será informado de que a sua chegada em seu planeta significa invasão; estas são mentiras, isto é retaliação.

A ideia, ou a mensagem, por trás de Horizon é tão promissora quanto brilhante. É um conceito nascido das frustrações de como nós, como guardiões do nosso planeta, estamos destruindo sistematicamente o mundo em que habitamos. Nós gostamos de histórias onde a Terra é invadida das estrelas por aliens buscando nossos recursos, mas aqui Brandon Thomas vira esta noção. Em Horizon, somos os invasores, e depois de esgotar o que a Terra tem para oferecer, vamos em busca de um novo planeta. Esse planeta é chamado Valius, e eles não vão permitir que isso aconteça sem uma luta.

A história segue a comandante Zhia Malen de Valius enquanto se infiltra na terra. Na verdade, foi mais um pouso por acidente que acarretou a sua descida no Canadá. O fato da narrativa não entregar a história facilmente, ou seja, existe um esforço para o leitor absorver todos os eventos desta primeira edição. Não me interpretem mal, todos os pontos do enredo estão lá, só é preciso apenas um pouco de esforço para juntar todos os pontos. Ao fazer isso (e fazer muito bem), Thomas faz com que a cada releitura você acabe vendo algo novo. A série não trás quase nada de um quadrinho mainstream. Exigir esse investimento por parte do leitor é um risco, mas acho que o resulto final é melhor positivo: pela complexidade que faz você aprecia-la mais.

Na arte, Juan Gedeon traz uma arte atraente em seu estilo de desenho em Horizon. Aqueles familiarizados com alguns de seus trabalhos perceberão as linhas um pouco abstratas e grossas na sua arte, em Horizon ele adicionou um toque angular e minimalista em seu estilo de desenho. Isso evoca uma questão futurística. As cores ficam com Frank Martin e o colorista ao invés de trabalhar dentro do parâmetro definido nas linhas de Gedeon, o estilo de colorização é quase um contraponto. Dois estilos diferente que quando reunidos se tornam algo maior.

Horizon é uma história cheia de possibilidades. O único plot twist da história é baseado em torno do potencial do enredo e, como leitor, você vai querer juntar as peças para entender melhor este universo. Tanto na história como na arte existe um alto valor que dão dicas do que pode ser e o que pode vir a ser a história. Não é uma história simples, mas com muitas camadas, então é bom você sentar e curtir a leitura desta excelente primeira edição de Horizon!

ComicReview / NerdnoCanadá Week 03 – Demoniac #1

Voltamos para a terceira semana de resenha sobre títulos novos da Image Comics que culminará em uma Live em parceria com canal NerdnoCanadá. Confira os links para as resenhas e Lives já realizadas abaixo: 

1° Semana: Killer of be Killed / Eclipse / The Hunt / The Black Monday Murders / Moonshine
Live 01: Image é a nova Vertigo?
2° Semana: Cannibal / Wytches / Outcast Vol.1
Live 02: Image é a Nova Vertigo? Lançamentos Image – Especial de Halloween #2

Essa minissérie em seis partes foi criada por Robert Kirkman e Mark Silvestri, onde não se afasta muito das raízes de horror mainstream de Kirkman. A escrita de Sebela tem alguns trechos interessantes, mas com a intriga que o enredo oferece, os plots de terror dos anos setenta, com o sexismo casual, as mulheres como artifícios de enredo ao invés de personagens bem construídos e o melhor amigo negro levam a esta primeira edição a falta de algo mais no quesito de nuances na história. Esperamos que o antagonista principal também tenha um nível de complexidade à medida que a série avança.

A arte de Walter é notável, trazendo à vida o estilo retro de quadrinhos mais antigos. Há algo que assombra nas características de alguns personagens como Ashma, que se forma através de enxame de moscas, e as máscaras deixadas para trás por Novo Clergy. Tudo isso somados ao grande colorista de contos de horror Dan Brown, as cenas acabam ganhando vida. Os tons de amarelo que cada cena traz envolvendo atividades demoníacas trazem um sentimento desagradável para os painéis. Quando o personagem Graves ganha força do desconhecido, a sombra em seus olhos forma um olhar inocente, mas assustador como o de uma criança traumatizada.

A edição termina com cenas chocantes e com Scott saltando de um apartamento em um traje nefasto que parece ser de um culto de assassinos. Em um excelente painel o personagem aceita o seu destino sanguinolento e submisso, mas ao mesmo tempo questionando a sanidade de suas ações. No fim Demoniac não é para todos. Se você gosta dos trabalhos de Kirkman (The Walking Dead, Outcast) e gosta das histórias de terror dos anos 70 eu recomendo para você está série. 

 

 

ComicReview / NerdnoCanadá – Outcast Vol. 01

Não deixe de conferir as resenhas já feitas até aqui :
1° Semana: Killer of be Killed / Eclipse / The Hunt / The Black Monday Murders / Moonshine
Live em parceria com o canal Nerd no Canadá: Image é a nova Vertigo?

2° Semana: Cannibal / Wytches

Voltamos para falar de Outcast. Do mesmo criador de The Walking Dead e que mesmo antes de ter sua primeira edição publicada já tinha seus direitos vendidos para AMC e esse ano teve exibido sua primeira temporada. Pelo fato de ser uma série com uma quantidade relativa de edições publicadas resolvemos falar sobre seu primeiro arco, ao invés de sua primeira edição.

Sinopse: Kyle Barnes tem sido assolado por possessões demoníacas toda a sua vida e agora ele precisa de respostas. Infelizmente, o que ele descobre ao longo do caminho pode trazer o fim da vida na Terra como a conhecemos. Começa aqui – com esta aterradora primeira edição e o dobro do tamanho das edições regulares com quarenta e quatro páginas de história! 

O primeiro volume de Outcast, o quadrinho de horror do escritor Robert Kirkman e do outcast-1artista Paul Azaceta, abre com um poderoso acontecimento palpável de que algo terrivelmente errado aconteceu. A mãe preocupada olha para seu filho, que está exibindo um comportamento muito estranho. Embora ele fique de costas para ela e o leitor, é claro através da paleta de cores sombria e do rosto da mãe de que o que ele está escondendo não será agradável. E não é: juntamente com sangue, cartilagem e autocanibalização, a criança ainda mantêm a aparência estranha de inocência, que é muito mais perturbadora dentro desse contraste. Um homem local aparece na cena, e deixa claro que não é o primeiro cenário macabro que ele viu. A partir desta abertura angustiante surge uma narrativa impressionante sobre possessões demoníacas, culpa e complicadas relações.

Dentro das próximas seis edições deste primeiro volume, Kirkman e Azaceta lentamente introduzem seus principais personagens: Kyle, um solitário que vive um isolamento auto imposto após cometer um ato que não foi mencionado; e o padre acima mencionado, o reverendo Anderson, que tem como missão investigar a intrusão sútil de demônios em uma idílica cidade pequena. Kyle parece aproveitar a capacidade de causar danos e exorcizar demônios – embora a origem desta habilidade permanece um mistério. O que transparece é uma espécie de um procedural sobrenatural, onde o passado tortuoso de Kyle ganha destaque. Um estranho de cabelos brancos também ameaça a congregação de Anderson, incrementando a ameaça através de maus presságios.

Mas os menores detalhes, os pessoais em Outcast são tão importantes quantos o plot principal: as brincadeiras entre Kyle e sua irmã adotiva, Megan, que espera retira-lo do seu isolamento, parecem ser um esforço não natural, atingindo apenas um certo ponto de familiaridade e anseio. A fé do reverendo Anderson é equilibrada por sua propensão para jogos de cartas. Enquanto o marido de Megan, Mark um policial local, não recebe muito destaque inicial, sua reação explosiva ao encontrar um estranho com uma conexão sórdida com sua mulher fala muito sobre sua personalidade dentro de alguns painéis.

O uso da violência aqui pode ser inquietante: a arte de Azaceta trabalha o perigo e brutalidade da pessoa possuída. Às vezes, o traço evoca a ameaça de uma pequena cidade de um conto de Stephen King, onde seus personagens disfarçam os seus piores impulsam por trás de uma face inócua. Ele torna a linguagem corporal desses personagens com uma precisão cirúrgica se eles estão interagindo sem jeito com a família ou com uma tentativa de entender as regras das entidades sobrenaturais que eles encontram.

Embora este volume defina Kyle acima da jornada do herói, mas também acaba deixando muitas perguntas sem respostas. O que deixa as pessoas inclinadas a possessão? O que é a capacidade de Kyle de “curar” os que sofrem nas mãos de demônios? Kirkman está apresentando a tradicional luta eterna entre Deus vs. Diabo, ou são as habilidades de Kyle algo totalmente diferente? Também não está claro se essas infestações demoníacas são exclusivas à cidade de Kyle, ou se eles estão acontecendo ao redor do mundo. Lembre-se, todas essas perguntas não são falhas de roteiro e sim questões a serem abordadas nos próximos volumes. Todo o peso e densidade deste primeiro arco é simplesmente a primeira peça do quebra-cabeças de uma grande saga. Por enquanto, ela está em um silêncio emocionante, iluminando os momentos mais íntimos de uma guerra épica.

ComicReview / NerdnoCanadá – Wytches #1

Não deixe de conferir as resenhas já feitas até aqui :
1° Semana: Killer of be Killed / Eclipse / The Hunt / The Black Monday Murders / Moonshine
Live em parceria com o canal Nerd no Canadá: Image é a nova Vertigo?
2° Semana: Cannibal

Sinopse: Por todo o mundo, século após século, homens e mulheres foram queimados, afogados, enforcados, torturados, presos, perseguidos e assassinados por bruxaria. Nenhum deles eram bruxos. Eles morreram protegendo uma verdade terrível e oculta: bruxas, bruxas reais, estão lá fora. Elas são criaturas antigas, indescritíveis, e mortais, que raramente são vistas e ainda mais raramente sobreviveram.


Wytches era muito aguardada pelo fato da sua dupla criativa: Scott Snyder e JOCK que colaboraram no cult moderno Batman: Black Mirror e pelo fato do escritor estar de volta ao terror. Eles se encontram no parque criativo da Image Comics e nos entregam um conto impressionante e muitas vezes aterrorizante.

Temos uma abertura inquietante e Wytches apresenta a família Rooks que recentemente se mudou. Encontramos os Rooks em transição, cada um se recuperando de uma provação recente e angustiante sofrida pela sua filha, Sailor. Ela está retornando ao colégio depois de um tempo, mas não muito depois dos acontecimentos do passado. Parece que há algo wytches-1escondido na floresta, e quanto a quem ou o quê que permanece assustadoramente claro, é evidente que eles têm um interesse em Sailor e sua família.

Snyder, conhecido por suas expansivas mitologias, bem como seu ritmo que apresenta etapa por etapa da sua narrativa, mostra seu estilo de relance nesta primeira edição. Ele dedica maior parte do roteiro para Sailor Rooks e sua família, pesadelos aparecem em flashs rápidos, mas não menos assustadores.  Os personagens são sólidos, onde estabelece rapidamente motivações e excentricidades em vários deles, as vezes até de forma apressada. Algumas das interações são meias desconexas, mas como ele está introduzindo os personagens é natural que a narrativa seja mais leve. Depois disso o plot finalmente começa a se desenvolver e vai deixando várias pistas e dúvidas no ar. Estas dúvidas tornam esta edição intrigante, sendo que parece que não existam personagens que possam responde-las. Tudo isso soma para a ambientação da história que tem muitos momentos assustadores com vislumbres de criaturas fantásticas e assim formando uma corrente de perigo e mal-estar por toda a história.

O artista Jock tem um trabalho muito consistente aqui. Seus ângulos agudos e sombras tem um grande afeito nesta primeira edição, utilizando uma série de layouts dinâmicos e até gerando certo humor alguns quadros. Embora algumas vezes os rostos dos personagens fiquem estranhos, mas o destaque do artista vai para os momentos de brutalidade e uma certa feiura nos momentos de tensão. Outro destaque vai para o colorista que usa de tons quentes que em primeiro momento valoriza a cidade pequena para depois torna-la obscura e sinistra. Ele consegue acentuar os horrores criados por JOCK com um preto profundo e manchas de cores violentas, gerando o clima de que algo terrível paira pela edição.

É uma primeira edição consistente dessa minissérie que possui 6 capítulos. Ela foi lançada em 2014 e foi um sucesso absoluto de vendas. Em 2017 a Dardside Books, que tem tradição em livros voltados para o terror/horror, irá inaugurar um novo selo e com ele vem o lançamento de Wytches. Recomendo que fique de olho nesse próximo lançamento.

ComicReview / NerdnoCanadá – Cannibal #1

Damos inicio a segunda semana de resenhas das novas séries da Image Comics e que serve como preparativo para a Live em parceira com o Nerd no Canadá que irá ocorrer neste próximo domingo (30/10) as 16:00 horas com o tema de Halloween, ou seja, todas as obras resenhadas e comentadas terão alguma temática de terror ou horror. 

Baseado em um conceito original de Jennifer Young, Cannibal #1 utiliza o isolamento da vida de uma cidade pequena para ajudar a definir o cenário para uma história de sobrevivência e horror. E imediatamente podemos fazer uma comparação com The Walking Dead. Mesmo que ambos se utilizam do Sul e de um surto de um vírus “zumbi”, Cannibal #1 nos brinda com uma nova premissa e se diferencia da concorrência.

Sinopse: Cannibal é sobre os habitantes de uma pequena cidade de Everglades, tentado desesperadamente manter seu dia-a-dia no início de uma pandemia canibal. Sem previsão de cura, a região se divide sobre o que fazer com as vítimas, embora para Cash e Grady Hansen a resposta seja simples: Matem todos. Mas tudo isso muda quando o vírus começa a infectar pessoas que eles amam.

Os Canibais aqui são relutantes como um viciado, o vírus dá aos infectados uma compulsão para comer seres humanos. Eles mantêm a consciência dos seus atos, a ponto de pedirem desculpa por atacar a sua presa. Essa mudança faz com que os eventos nessa primeira edição sejam mais perturbadores quando um rapaz chamado Jimmy é atacado por um infectado. Jennifer Young (creditada como J. Young) e Brian Buccellato rapidamente estabelecem um elenco sólido de personagens. A dinâmica de uma cidade pequena significa que os personagens já se conhecem, e o diálogo entre eles ajuda a informar os leitores das suas relações.

Somos apresentados a Cash, um bartender que em breve irá dá o próximo passo na sua vida amorosa. Cash é simultaneamente distante e ainda preocupado com as pessoas, e que faz dele um protagonista a se seguir. Infelizmente sua parceira, Candy não se sai tão bem, somos apresentados a sua personalidade que faz uma referência ao estado dos canibais, mas é decepcionante a única personagem feminina ser definida exclusivamente por sua sexualidade. Tudo isso com a arte de Matias Bergara, onde cada personagem recebe um design distinto que os faz mais humanos. Os layouts de bergara faz o leitor se aprofundar mais na obra e dão um grande senso de ritmo a história. O destaque fica para o ataque que acontece no início da história e temos a visão da vítima que sugere ao leitor também estar sendo atacado pelo canibal.

Cannibal #1 é uma boa estreia e que deixa um toque criativo na premissa desgastada de zumbis. A arte de Matias Bergara é atmosférica e tem um ritmo bom que mantem a história agradável. Jennifer Young e Brian Buccellato criam uma história que pode superar as semelhanças superficiais com The Walking Dead.