Editorial: Os 20 anos de One Piece

Foi há 20 anos, hoje, 19 de julho de 1997, que a  One Piece fez sua estréia nas páginas da revista Shonen Jump. Com o volume 86 que será publicado no Japão no próximo mês, é o mangá mais vendido no mundo todo, tendo movimentado mais de 416 milhões de cópias em todo o mundo (para referência, Batman e Superman venderam 460 milhões e 600 milhões de quadrinhos, respectivamente, ambos são muito mais antigos). A adaptação do anime de One Piece começou em outubro de 1999 e nunca mais parou – a contagem de episódios é mais de 800 até o momento, além de mais de uma dúzia de filmes e spin-offs adicionais, todos eles grandes sucessos no Japão.

A editora Conrad começou a publicar o mangá aqui no pais em fevereiro de 2002 a saga de Luffy D. Monkey e o bando dos Chapéu de Palha que navegam o perigoso e imprevisível Grand Line em busca de um tesouro lendário, mas a editora acabou cancelando o título em maio de 2011 e um ano depois a série voltava a publicação pela editora panini.

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Conheci One Piece em 2007 através de um amigo que sempre comentava sobre um mangá que tinha um autor super criativo e inovador, mas, honestamente, demorou a crescer o interesse de minha parte. O estilo de arte caricata com seus monstros marinhos gigantes, bocas abertas, piadas malucas e constantes “DON!” (os efeitos sonoros) eram realmente diferentes do que eu costumava ver em mangás shonen. Além disso, como muitos mangás, ele demora a pegar ritmo de leitura.

Mas uma vez que eu li até o arco de Baroque Works / Alabasta, fiquei viciado. O estilo de arte de Eiichiro Oda é tão original e fresco, as cenas de luta são tão intensas, e os vilões são tão malignos (mesmo que quase nunca conseguem realmente matar alguém). Como Akira Toriyama, Oda realmente fez uma marca e influenciou tantos artistas que vieram depois (quem diga Fairy Tail). Ainda mais do que a Dragon Ball, a história tem a estrutura de um videogame de RPG das antigas: (1) os heróis entram em uma cidade onde um vilão está causando problemas, (2) eles vencem o vilão, (3) há uma grande festa e muitos choros e gargalhadas, (4) eles ficam mais fortes e seguem para outra cidade. Esse é o padrão, com algumas mundanças, mas o mundo de Oda é tão imaginativo que sempre fica divertido.

Eu sinto que devo mencionar que One Piece tradicionalmente ficou atrás de Naruto em popularidade no Ocidente, enquanto que é o inverso no Japão. Eu acho que isso foi em parte porque Naruto é sobre o ninja, algo que aqui no ocidetente “esperam” na cultura pop japonesa, como na década de 90, a série de videogames Samurai Shodown era mais popular fora do que no Japão.

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One Piece encabeça uma nova era de mangakás que foram publicados no fim da desada de 90.

Além disso, Naruto tem um estilo de arte mais convencionalmente realista, com estilo de quadrinhos americano e geralmente uma atitude mais “séria”, enquanto uma das características de One Piece, para mim, é que é tão grande e com olhos exagerados que quase parece estar piscando para o leitor.

Eu acredito firmemente que a One Piece trabalha em dois níveis: um nível puramente maluco que as crianças gostam e um pouco ambíguo e sugestivo para os leitores mais velhos que podem ver o quanto é bobo e melodramático, mas quem o ama entra nisso de qualquer forma. Oda sabe como contar a história de um personagem através de alguns detalhes bem escolhidos: uma arma pateta, uma cicatriz perfeitamente colocada, uma anatomia tão enorme e descuidada, você só acaba guardando esses detalhes únicos de todos esses personagens ao longos dos 20 anos de publicação. Se eu fosse um aspirante a um artista de manga shonen, One Piece seria minha Bíblia para como desenhar vilões memoráveis.

O que me mantém lendo é a consistência e continuidade. Adoro sentir que a Oda tem um plano e sabe onde a série está indo, e saborear esses momentos entre os arcos de ação e histórias dramáticas, onde mais da construção de mundo entra em jogo. Não consigo imaginar deixar a série agora, depois de mais de 10 anos lendo semanalmente a obra. É até dificil escrever sem deixar o lado o fã no texto. A obra veio para fazer a Jump renascer e carregar o legado de Akira Toriyama na Shonen Jump e ao meu ver conseguiu levar além.

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Ilustração com todos os personagens de One Piece.

Fica aqui meus parabéns e agradecimentos ao mangaká Eichiro Oda por proporcionar momentos inigualáveis em questão de leitura aos seus fãs. Eu poderia citar dezenas de momentos épicos, mas o que fica é a mensagem principal do autor: Nunca desista de seus senhos, valorize seus amigos, seja sempre uma pessoa honesta e sincera. Seja alguém correto. Viva a Luffy, Zoro, Nami, Ussop, Sanji, Chopper, Robin, Frank e Brook !

Fique com a mensagem do Oda divulgado no capítulo 872 semana passada:

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