Preview #08 – Guerra Civil II #01

Mesmo com dois capítulos já lançados (Prólogo no Free Comic Book Day e Guerra Civil #0), é difícil saber como se sentir sobre essa saga mais recente da Marvel. O prologo foi uma grande decepção, cheio de efeitos visuais chamativos e de pobre desenvolvimento. Por outro lado, a Guerra Civil #0 ofereceu uma abordagem orientada para os personagens, muito diferente e mais para o conflito, centrando-se sobre os dois pontos de vista conflitantes que formarão a base entre a mais recente guerra da Marvel entre os heróis. Qual destes prólogos é mais indicativo da história principal? Será que Guerra Civil II vai ser mais um evento da Marvel sem nenhuma substância, ou tem algo profundo e significativo a dizer sobre o seu Universo e o papel dos Vingadores? Mesmo após a primeira edição da mini-série principal, é difícil dizer responder essas perguntas.

Se você prestou muita atenção ao marketing da Marvel para a segunda Guerra Civil, você verá que todas as informações dadas são de futuros eventos da saga. Esta edição abre com os Vingadores enfrentando uma ameaça ao planeta terra, que introduz o Inumano conhecido como Ulysses e a revelação sobre sua capacidade de prever o futuro. A partir daí, as linhas de batalha são desenhadas com Capitão Marvel e Homem de Ferro discutindo sobre a questão acerca dos poderes de Ulysses. Se deve ser usado para impedir futuros desastres antes que eles possam acontecer. O debate é um catalisador extra na forma de uma grande tragédia entre os super heróis e que de repente o debate filosófico se transforma em uma guerra aberta.

Guerra Civil II 01
Capa da edição #01 de Guerra Civil II

No que diz respeito as primeiras questões, esta edição #01 é competentemente estruturada e eficiente sobre como definir o cenário para a vinda dos conflitos. No entanto, ela não faz despertar empolgação na leitura. Apesar do fato de que a edição abre com uma enorme batalha entre os Vingadores e uma força de invasão Alienígena. Claro, essa sequência parece fantástica graças aos desenhos dinâmicos de David Marquez, mas falta a urgência e drama de, digamos, Nitro explodir uma escola ou Capitão América escapar da custódia da S.H.I.E.L.D. em Guerra Civil #1. Considerando alguns temas sérios que se desenvolvem durante a história, esta edição deveria ser mais empolgante do que ela é. Várias vezes você percebe que os principais personagens da Marvel estão sendo usados como peões para continuar o conflito.

Parte do problema decorre do fato de que Guerra Civil II #1 não se sustenta inteiramente por conta própria. Na verdade, está faltando uma parte essencial da história. A questão de como e onde o prólogo especial se encaixa na narrativa é definitivamente respondida aqui, já que os fatos apresentados nele são em um ponto avançado da história e não no começo.

A boa notícia é que a caracterização dos personagem pelo escritor Brian M. Bendis é muito bem feita. Considerando que o prólogo sofreu com diálogos e piadas genéricas de super grupos, aqui há mais nuncias e profundidade para a maioria dos diálogos. Existem ainda alguns casos de frases de efeito e diálogos maçantes (incluindo a introdução dos Inumanos e a batalha dos heróis contra a força alienígena), mas Bendis é capaz de manter a história focada em um seleto grupo de personagens – Homem de Ferro, War Machine, Capitã Marvel, etc. Tony especialmente se destaca aqui, que é bom, considerando sua ausência gritante na edição #0. Nesta fase do conflito, quando a posição de Carol sobre os problemas dos poderes Ulysses são ainda pouco fundamentados e sensíveis, as objeções de Tony são mais emocionais. Ele tem uma participação muito pessoal nesta luta, onde você sente ser mais natural do que seu papel na Guerra Civil original. A transição do personagem herói para um destroçado sobrevivente e vingativo definitivamente carrega um peso que a história não tem. No entanto, a caracterização de She-Hulk é fraquíssima, principalmente porque sua postura parece conflitar com a maneira como ela foi escrita na Guerra Civil II #0.

Guerra Civil II 02
Edição Prólogo lançada no Free Comic Book Day

Se existem problemas de roteiro, não há queixas quando se trata do desenho. A arte de Marquez é maravilhosa do início ao fim. Marquez se tornou um mestre de ação e coreografia, uma habilidade que lhe serve bem durante toda a enorme batalha nas páginas de abertura. A razão de Tony se destacar tanto se deve ao trabalho dele nesta edição e isso é graças a sua narrativa. O trabalho com as expressões e o dinamismo nas paginas é excelente!

Esta primeira edição estabelece o conflito e entrega uma arte acima da média. No entanto, não oferece nenhuma surpresa nesse tipo de história e que muitas vezes deixa de provocar o leitor como foi na primeira edição da Guerra Civil há dez anos atrás. Simplesmente a história não empolga.

Anúncios