Análise – Hunter x Hunter: Chimera Ants

Hunter x Hunter é escrito e ilustrado por Yoshiro Togashi (Yu Yu Hakusho, level E) e é publicado pela editora japonesa Shueisha na revista Weekly Shonen Jump contendo 34 volumes e em andamento. O primeiro capítulo foi publicado em março de 1998, porém a serialização é marcada pelas pausas que o autor vem fazendo desde 2008 alegando problemas de saúde. A obra é um sucesso absoluto que teve duas adaptações para TV, onde a primeira foi feita em 1999 e a mais recente feita pelo estúdio MadHouse em 2011.

Weekly Shonen Jump #42-2011

O último capítulo de Chimera Ants foi capa da Weekly Shonen Jump

Eu comecei a gostar de quadrinhos por causa dos Mangás. Nunca tive preconceitos e acabo lendo de tudo, mas nada até hoje se compara ao arco de Hunter x Hunter: Chimera Ants (Formigas Chimera). O arco corresponde aos capítulos 185 ao 318 da obra e já foram lançados aqui no país pelo JBC nos volumes 18 ao 30. Apesar de a série corresponder à demografia Shonen (histórias para um público infanto-juvenil), a obra possui muitos momentos densos e reflexivos. O auge dessa abordagem atinge o ápice no arco que iremos analisar aqui.

Chimera Ants é a saga do mangá em que surge uma espécie de insetos chamados de Formigas Chimera , é o sexto arco da história de Hunter x Hunter, essas formigas são animais extremamente perigosos que vieram do “mundo de fora” segundo Ging Freecss. As Chimeras se reproduzem através da Fagogênese, que consiste em devorar criaturas e fazer com que a próxima geração nasça com as características delas. As Chimeras são organizadas em um tipo de hierarquia. A rainha é protegia por 3 guardas reais e 36 líderes de esquadrão. Vamos acompanhar o nascimento de Rei dessas formigas, enquanto a associação Hunter tenta impedir o grande massacre que essas criaturas podem fazer em um futuro próximo a raça humana. Vamos a análise:

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A humanidade é uma espécie imperfeita. Na verdade, isso é falar de uma forma bem generosa – a humanidade é uma espécie profundamente falha. Nós somos egoístas e autodestrutivos, ignorantes ao ponto de sermos cegos e arrogantes a ponto de sermos loucos. É quase um milagre que vivemos por tanto tempo, ou que nós não nos destruímos ao longo desse caminho. Para todos esses efeitos, todas as vantagens da nossa inteligência e consciência também se refletem inúmeras vezes em invenções megalomaníacas. Nós somos o nosso pior inimigo.

Dito isto, parece pouco provável considerar a possibilidade de uma segunda chance. Talvez outra espécie pudesse fazer melhor que nós – talvez uma espécie mais interessada em sua própria sobrevivência coletiva e capaz de absorver de forma coerente as lições de seus antepassados. Talvez uma espécie um pouco mais animal, mais disposta a ser parte de um grande organismo de um individuo selvagem e imprevisível. Talvez uma dessas espécies mereça uma segunda chance. Ou talvez essa espécie não precise mesmo da oferta de outra chance. Se nós fossemos colocados contra uma espécie que combina inteligência e força como uma unidade animalesca, será que teríamos chance?

A história da saga das Formigas Chimera é sobre essas questões, ou pelo menos, a cerca dessas perguntas e uma série de outras. Ela apresenta a ascensão das Formigas Chimera, uma espécie que evolui continuamente, absorvendo as peculiaridades e os poderes de qualquer espécie que consome. A rainha das formigas deseja construir um ser perfeito, o animal definitivo, destinado a governar sobre todas as outras. A fim de fazer isso, ela constrói seu filho com base nas melhores espécies que existem, e na primeira de muitas reflexões estranhas das formigas chimera, a construção de um ser perfeito acaba exigindo uma quantidade dos seres falhos e autodestrutivos, os seres humanos. Como seu exército de formigas vai crescendo, seu DNA humano torna-se cada vez mais proeminente, e as “imperfeições” da natureza humana se tornam mais e mais evidentes em seus comportamentos. “Felizmente”, este entrelaçamento dos instintos humanos e das formigas não é restrito por apenas um dos lados, com o desenrolar do arco até mesmo os seres humanos começam a demonstrar que a natureza das formigas não é tão desumana quanto parece. Até o final… Bom, irei comentar sobre isso mais na frente. Vamos definir algumas coisas antes.

Habitat Natural

O arco Chimera Ants tem um cenário de guerras continuas. A aventura se passa na ilha da Baleia e ela geograficamente é cercada por duas situações: Primeiro a NGL (Neo Green Life), um estado totalitário que abriga uma rede de tráfico de drogas e que leva um regime que tem todas as semelhanças com a Coréia do Norte menos no nome. As nações em Chimera Ants estão simplesmente a espera de um estopim para se iniciar a guerra de forma definitiva, e as formigas fornecem esse estopim. No momento em que nossos “heróis” humanos chegam ao NGL, às formigas já estão aprofundadas em uma guerra de guerrilhas na região. O primeiro ato toma uma forma narrativa adequada a essa situação e seu conteúdo, onde seus capítulos mostram combates obscuros nas selvas e com vitimas intermináveis de civis nas aldeias ao redor. As mortes vão se transformando com o tempo em coisas banais, e com os desdobramentos que a saga vai ter, o pano de fundo do genocídio em potencial de alguma forma se torna muito menos importantes do que as possíveis mortes de alguns personagens que conhecemos.

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Hunter x Hunter é um shonen e por isso o conflito é praticamente inevitável, mas a maioria dos mangás nessa demografia não mostra o custo humano das guerras. Em Chimera Ants, é impossível evitá-lo, cada novo soldado vem com uma vida passada e os reflexos dessas vidas surgem cada vez mais conforme as formigas evoluem. A tragédia desse contexto fica constantemente em primeiro plano, mas a conclusão não fica apenas em um simples “guerra é algo terrível, não faça guerras”. Togashi demonstra uma sensibilidade e inteligência que vão, além disso, mostrando a natureza humana contra si mesma, onde a guerra não é um agente politico externo e sim um sintoma. É uma evolução dos nossos conflitos fundamentais, e em Chimera Ants, a evolução é a chave. O processo de mudança nos personagens da saga constantemente reflete os nossos instintos mais sombrios sobre o mais naturais, e por isso não é de se estranhar que neste contexto de uma guerra terrível e inevitável, o arco de alguma forma conta uma história baseada na lealdade e amor.

Amor Incondicional

A estrutura da sociedade das formigas é inicialmente colocada como um dos elementos mais “desumano” de sua natureza. Elas não têm metas individuais, elas trabalham a serviço da colônia, sua lealdade é absoluta. Isso é parte do que os torna fortes, a potência de sua unidade é gigantesca e a introdução da individualidade humana acaba por criar algo novo nessa estrutura. Mas a lealdade assume várias formas, e até mesmo desde o início, a Rainha Formiga existe como um contraponto à lealdade de sua espécie tendo essa emoção totalmente estranha para eles. Sua lealdade é para com seus filhos, uma emoção muito humana e o “amor incondicional” é demonstrado mais tarde, através dos esforços de Youpi e Pouf para salvar o seu Rei. É condicionado que a lealdade mantém as formigas de segundo escalão unidas que nesse confronto tentam adivinhar as suas ações no serviço da colônia, mas suas próprias ações complicam o seu entendimento entre lealdade e o amor humano. E essa relação também é questionada pelo lado humano quando ” o amor pelo próximo” faz que você ultrapasse os limites da sua moral.

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A morte de Kaito.

 

Killua é uma figura central nessa saga, embora a jornada de Gon represente a narrativa mais densa, Killua tem um propósito muito mais amplo dentro da história. Enquanto Gon está perdendo sua humanidade a serviço de um único objetivo, Killua está ampliando a expressão de humanidade do arco e tem um pensamento bem próximo com os das formigas mais humanizadas “Eu nunca digo obrigado aos meus amigos”, para ele, que cresceu em um ambiente familiar que lealdade é sempre baseado em uma troca de favores, lealdade incondicional é algo impensável até então. Quando ele vai ajudar o amigo, ele não pensa no que irá receber em troca. É uma expressão de confiança e apoio ao amigo e a recompensa é saber que o amigo faria o mesmo.

Embora a definição da humanidade seja muitas vezes ligada as expressões de individualidade, Killua demonstra que a lealdade incondicional não é algo inerentemente reflexiva da natureza humana. E é através dessa crença compartilhada em expressões incondicionais de lealdade e amor que as formigas e os seres humanos encontram um terreno comum, é esta dedicação absoluta em apoiar a causa de seus amigos e entes queridos que faz com que Youpi deixe Killua e seus adversários vivos em um confronto de vida ou morte. “O amor incondicional” é uma lealdade que nasce de algo intrinsecamente humano, uma ponte que une estas duas espécies e promove um respeito comum. Eles se veem no outro e você não pode refletir sobre si mesmo sem que mude de alguma forma no processo.

Evolução acelerada

A mudança é outro ponto chave para Chimera Ants. Talvez esse seja o arco da Shonen Jump que mais trabalhou o crescimento de caráter de seus personagens e que foi tão essencial para a própria narrativa. O que faz sentido, já que os “antagonistas” do arco são uma espécie em continuo estado de evolução. Pitou muda de um personagem narcisista para um que se preocupa unicamente com a empatia que seu líder. Youpi desenvolve sua personalidade e descobre os valores humanos durante sua luta contra Knucle e os outros Hunters. Shoot encontra autoconfiança, uma razão para viver e outra para morrer. Killua acaba vendo os valores de sua amizade com Gon se invertendo, onde ele tem que se tornar muito mais forte e compreensivo do que ele pensou ser possível. Um dos grandes temas de Chimera Ants é a questão de que as pessoas mudam, elas podem crescer, evoluir, tornam-se maiores através de N circunstâncias. Elas causam dor umas as outras, mas esse atrito faz delas pessoas melhores.

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Infelizmente, como todas as coisas boas em Chimera Ants, este fato positivo tem sua contrapartida negativa. As varias situações que afetam cada uma dessas pessoas podem leva-las a terríveis mudanças, e as consequências destas mudanças são expressas através dos arcos dos personagens Meruem e Gon que servem como um reflexo de ambos.

Gon é o herói Shounen de Hunter x Hunter. Otimista, teimoso, imensamente leal aos seus amigos. Durante maior parte da série, sua paixão empresta força as pessoas ao seu redor, até metade de Chimera Ants, onde Killua observa que “Gon é a luz” fazendo dele uma pessoa melhor. Mas até o final da saga, todas as suas características e qualidades que o definem se voltam contra ele. Fundamentalmente abalado pela perda de seu mentor Kaito, ele acaba revelando que até mesmo as melhores intenções podem ter efeitos negativos quando se levadas aos extremos.

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Seu otimismo se torna uma incapacidade para aceitar a morte. Sua confiança acaba estreitando futuros possíveis para a única coisa que ele se preocupa, a única realidade que ele pode aceitar. E sua lealdade torna-se obsessão – uma necessidade imperiosa para salvar Kite que o afasta de todos os outros que se preocupam com ele. No momento em que ele percebe que seu mestre nunca irá voltar, ele se torna uma pessoa com um único proposito, e até mesmo a sua aparência reflete isso – a vingança e o ódio o consomem até tudo o que resta é o preto, branco e o vermelho de ódio, de sangue. A nossa capacidade de dar valor ao próximo e nossa capacidade de mudar podem fazer de nós monstros mesmo que nossas intenções sejam as melhores.

Mas assim como a obsessão de Gon faz com que ele perca a sua “humanidade”, as mudanças que ocorrem com o rei das Formigas Chimera é o maior trunfo do arco. O rei leva sua vida como tal – um Rei sendo projetado para governar sobre as outras formigas. Seu nome não é importante – tudo o que é realmente necessário é o seu título, porque sua identidade é um reflexo da sua capacidade de exercer poder sobre os outros. Ele tem dificuldade para lembrar nomes porque para ele são claramente uma forma de identificação sem importância. As pessoas têm utilidades, as pessoas têm diferentes graus de força, mas identidades individuais? Para uma verdadeira formiga, ela nasce com o objetivo de servir o bem maior e essas coisas não fazem sentido. Felizmente a mais forte das formigas nasceu a partir dos mais fortes seres humanos. E os seres humanos mudam.

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A relação do Rei com Komugi representa o otimismo central de Chimera Ants, ela é sua salvadora. Dezenas de personagens morrem no arco, juntamente com dezenas de milhas de inocentes sem nome. Mas no meio desse derramamento de sangue sem sentido, existe uma criatura que dita o futuro das formigas e acaba se tornando demasiadamente humano para sua própria sobrevivência. Seus jogos com Komugi destroem sua filosofia voltada para força de cada individuo. Como ele pode se dizer o “mais forte” se uma menina fisicamente impotente sempre acaba o derrotando? Significa que ele pode e gosta de ser derrotado, aprecia o desafio, mesmo que não resulte em mostrar sua verdadeira vontade para o mundo? Se essa é a única coisa que ele gosta, então qual é o lado bom de ter poder para derrotar seus adversários? Como você pode medir a “força” se as suas tentativas de impor o medo sobre uma menina são falhas, pois sua determinação mental é mais forte que a sua? E como alguém que possui tal força ainda pode estar tão fraca, tão “inferior”, que é disposta a servir ao próximo ao invés de impor sua própria vontade?

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Komugi “derrota” o Rei – o que um exercido de Hunters não poderia fazer através de suas forças, ela faz através da expressão da sua identidade frágil. Ela demonstra a ele que as pessoas não são tão simples assim – que você não pode medi-las somente por um aspecto, e que elas podem fornecer valores uns aos outros de muitas formas significativas. Através das ações de Komugi, o rei descobre que não está feliz por simplesmente ser O Rei, ele não quer que a sua identidade seja apenas uma expressão da sua força porque a pessoa que ele mais preza é mais do que isso, e ele quer ser assim como ela. É através da presença de Komugi que o rei se torna Meruem, uma representação viva do poder da humanidade para mudar, evoluir e torna-se algo melhor.

Transição da Natureza

A natureza humana é a que mais perde em Chimera Ants. As formigas inicialmente são postas com uma humanidade “diferente”, mas no final todos os seus instintos acabam sendo um reflexo do nosso. Cada ser mostra o poder e a tragédia que nos define como espécie quando tentam matar um ao outro. Nossa lealdade é louvável, mas por outro lado serve para justificar uma tragédia. A nossa capacidade de mudança nos permite melhorar cada vez mais, mas também se enquadra nos piores excessos da nossa própria natureza. E, finalmente, é a nossa individualidade que tanto nos faz fortes e inconscientemente sem coração.

A lealdade das formigas é algo fundamental para a sua natureza, mas a medida que evoluem, elas continuam a absorver as qualidades humanas. Em primeiro lugar vem à individualidade – a capacidade de encontrar seus próprios objetivos, de fazer as suas próprias escolhas, crescer e ter novas metas na sua vida. Esse instinto é expresso através da jornada de várias formigas: de Meruem para Welfin para Youpi para Ikalgo, a nossa capacidade de fazer escolhas, por vezes, egoístas e individuais é regularmente representada como um dos maiores triunfos da natureza humana. Youpi e Pufe até acabam enganando seu rei devido as crenças em seus potenciais, e esta atitude combinada de fé em eles próprios acaba levando-os para, finalmente, observar que o rei era “indigno de sua lealdade”. E ambos os arcos de Killua e Palm se desdobram nas suas capacidades de fazerem escolhas próprias, mesmo quando eles estão recebendo ordens, eles se rebelam e escolhem honrar suas lealdades. Mas como a nossa capacidade de amar e mudar, a nossa individualidade tem um lado negativo, bem como é surpreendente que Chimera Ants escolha representar essa escuridão através da ironia da arma definitiva da humanidade.

A Rosa

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Isso é a loucura na humanidade, ao contrario da ordem que existe na sociedade das formigas, nossas paixões e individualidades, tanto nos fazem fortes e nos colocam um contra os outros. O Presidente dos Hunter’s Netero encarna essa loucura. Como Meruem observa durante sua luta contra ele:  É somente através do seu embate físico e de seu desejo individual que fazem seu poder físico exceder os seus limites. O potencial do espirito de luta do ser humano é expresso tanto na sua força física de Meruem quanto na arma secreta que Netero escondia em seu corpo. A Rosa dos Pobres. E a arma que finalmente vence Meruem, uma arma nuclear, uma pura expressão da necessidade individualista da raça humana em fazer guerras, uma arma que o narrador enfatiza que não deveria existir, não existiria, se a humanidade fosse capaz de fazer escolhas para o bem comum. Netero se sacrifica para destruir Meruem usando uma expressão da individualidade em sua ultima análise, a autodestruição da raça humana. Mas ambas as suas escolhas e ações finais de Meruem demonstram que o cinismo não é a palavra final de Chimera Ants. A natureza humana e das formigas refletem um no outro, e acabam demonstrando o ápice de cada uma delas.

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Embora a Rosa dos Pobres seja, sem duvidas, o reflexo dos piores extintos da humanidade, o uso dela por Netero não é. Não é uma expressão de individualidade no fim, mas na verdade Netero ativa a arma, matando a si mesmo, e, portanto agindo com os extintos de uma formiga pela sua lealdade e amor pela sua raça humana. Sua vida não é mais importante que a sobrevivência de seu povo. E no epicentro da destruição da bomba, Meruem sucumbe lentamente a radiação. É ali que ele decide ter uma atitude completamente individualista e humana: escolhe cessar a luta da sua raça e passar seus últimos momentos ao lado da humana que ele ama. Uma natureza se reflete na outra e cada uma se beneficia pelo convívio. O conflito entre os humanos e as formigas termina em uma grande tragédia, mas por meio de inúmeras ações durante a saga, é demonstrado o valor e a integridade de cada filosofia, refletida e mostrada como parte de uma natureza que se segue seu curso. Algumas vidas terminam para outras seguirem em frente.

Imperfeições

Chimera Ants não é uma historia feliz, mas a humanidade não é realmente uma espécie feliz, então acaba sendo apropriado. É uma bela história, porém se propõe a mostrar as qualidades da raça humana tanto quanto as coisas negativas. Em ultima analise, elas estão ligadas e a simetria em Chimera Ants mostra que são as mesmas coisas. A nossa beleza é mostrada em nosso crescimento, e crescimento sempre implica em lutas. Cada aprendizado é árduo, cada mudança que sofremos é feita por algo trágico. Nossa beleza é mostrada nas nossas falhas, e nossas falhas levam uma consequência trágica. Nossa imperfeição é o que nos tornas compreensivos e generosos, mas também nos torna violentos, egoístas e obsessivos. Nossa beleza é mostrada através de nossa paixão, uma espada de dois gumes que é evidentemente expressada na loucura de Gon e no amor de Meruem.

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No final, a tragédia de Chimera Ants apresenta a sua ultima e mais pungente simetria, existem ganhadores e isso é que menos importa. Como demonstrado em uma fala de uma formiga chimera no final da saga: A natureza se reflete em cada um de nós. Não é fácil admitir, mas seria mais fácil ver um dos lados como vilão e a vitória sobre a tirania de um aterrorizante “Ser Perfeito” ser algo a se comemorar. Mas felizmente nenhum de nós somos criações perfeitas, somos imperfeitos.

Chegamos ao fim da analise da saga Chimera Ants. Esse texto é sem duvidas o mais diferente que já produzir e que acabei gostando mais. Acho que mangás tem uma brecha maior para esse tipo de analise por serem obras mais emocionais. Todo esse desenvolvimento brilhante dos personagens e suas perspectivas de vida é sem duvidas o ponto forte dessa saga. Há quem diga que pela metade da historia o autor enrole, mas durante esse tempo o que ele está fazendo é plantar todas as bases desses relacionamentos para no inicio do conflito, tanto físico quanto psicológico para trabalhar da melhor maneira possível essas dinâmicas e evoluções de caráter, atitude e força. Espere por mais resenhas desse tipo por aqui futuramente. Obrigado pela companhia. Espero que isso tenha ajudado a você de alguma forma, Tchau!

 

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4 comentários sobre “Análise – Hunter x Hunter: Chimera Ants

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